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Empreendedorismo sustentável é alavancado com a chegada da COP30

A realização da COP30 em Belém traz não apenas discussões ambientais, mas também oportunidades para pequenos e médios empreendedores que desejam criar ou expandir negócios sustentáveis

31 Dez 1969 | 6 min de leitura - Atualizado em 06 May 2025 às 18:21
Temas: Empreendedorismo Verde Financiamento Verde Identidade Amazônica

Com a bioeconomia ganhando cada vez mais destaque, alguns setores estratégicos estão em ascensão. Paulo Carvalho é proprietário de uma base de canoa havaiana localizada no Combu desde 2020. Atualmente o espaço oferece atividades de treino, passeios e expedições que são praticados durante toda a semana. 

O turismo ecológico está entre os segmentos que mais devem ganhar destaque nos próximos meses, por isso para Paulo o planejamento será fundamental principalmente para não fazer investimentos desnecessários que podem prejudicar seu negócio após a COP30. Atualmente, muitos moradores das ilhas treinam na base, no entanto por causa do evento o empresário já está pensando em aumentar a equipe para atender melhor quem procurar pelo serviço. 

“Nós precisaremos aumentar o nosso staff para atender a demanda dos passeios que achamos que irá aumentar, mas acredito que para isso o estado poderia investir mais com os empresários da ilha em um plano de negócios que leve a essas áreas sanar problemas como saneamento básico e a coleta seletiva de lixo, por exemplo”, disse. 

Sustentabilidade como negócio 

Especialistas apontam que a preparação para quem deseja aproveitar a onda de investimentos que Belém recebe pela COP30 deve começar desde já, ainda que o evento principal aconteça somente em novembro. Para o economista André Cutrim, os setores de cadeias produtivas baseadas no uso sustentável da biodiversidade, tais como os de fitoterápicos, cosméticos naturais, alimentos funcionais e óleos essenciais, que têm alto potencial de valorização diante das demandas do mercado global, são os mais estratégicos neste momento.

“Iniciativas ligadas à restauração florestal, aos créditos de carbono e aos serviços ecossistêmicos tendem a ganhar força, sobretudo se integradas a políticas econômicas voltadas à transição verde e ao financiamento climático. O turismo de base comunitária também pode se beneficiar, particularmente quando articulado a experiências regenerativas e à valorização da cultura local, o que pode ser fortalecido por arranjos institucionais voltados à governança ambiental e ao planejamento territorial que possam prover inclusão social e desenvolvimento sustentável a partir do próprio território”, afirma. 

Neste cenário, quem estiver alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as diretrizes da bioeconomia amazônica sai na frente já que a adoção de práticas baseadas em transparência, rastreabilidade e métricas socioambientais claras pode torná-los mais atrativos para fundos de impacto e financiamentos verdes, fomentando um ambiente de negócios mais sustentável e inovador.

“Nesse contexto, fortalecer as redes de cooperação com comunidades tradicionais, universidades, centros de pesquisa e incubadoras regionais é um caminho estratégico, sobretudo quando esses laços estão articulados com políticas públicas de apoio à inovação e à economia de base florestal da Amazônia”, completou o economista. 

 Desafios x investimentos

A precariedade da infraestrutura logística, a dificuldade de acesso a crédito voltado para a sustentabilidade e os entraves à regularização fundiária impactam diretamente a segurança jurídica dos negócios. Esses desafios são ainda mais evidentes em áreas de fronteira, onde a presença do Estado é historicamente frágil devido à distância, à baixa densidade institucional e à complexidade territorial.

Entretanto, persiste um descompasso entre as exigências regulatórias dos mercados e a realidade de quem produz na floresta ou nas periferias urbanas. Esse desafio reforça a necessidade de construir marcos regulatórios mais flexíveis e inclusivos, que reconheçam e valorizem a diversidade de modelos produtivos existentes na região.

Por toda a Amazônia Legal, vários grupos estão se reunindo em busca de melhorias e mais investimentos para os seus setores. No Pará, a Associação dos Negócios de Sócio-Bioeconomia da Amazônia (ASSOBIO) possui 75 associados de diferentes segmentos da economia sustentável. “Eu acredito que precisa haver uma adaptação de expectativas ao investir na Amazônia além de haver uma diversidade maior de mecanismos financeiros para poder atender negócios em diferentes estágios. Ainda falta fomento para que surjam mais ideias e negócios para que a gente tenha massa crítica e mais volume de oportunidades para investimentos”, disse Paulo Monteiro, Presidente da Assobio. 

Outro ponto fundamental é a captação de recursos. Linhas de financiamento voltadas para bioeconomia devem ser exploradas e para atrair investidores é essencial apresentar um plano de negócios sólido, que demonstre tanto viabilidade econômica quanto impacto socioambiental positivo. Além disso, parcerias com comunidades locais e a valorização de conhecimentos tradicionais podem agregar credibilidade e fortalecer a cadeia produtiva.

Dicas para novos empreendedores

Para quem está começando a explorar o cenário da bioeconomia e ainda não definiu uma área de atuação para empreender a principal dica é estudar o mercado. Qualificação e estratégia serão necessárias em qualquer área, por isso para o economista um bom ponto de partida é adotar uma escuta atenta aos territórios amazônicos. “Conhecer projetos locais, visitar comunidades, dialogar com quem já empreende e reconhecer as vocações e os desafios da região pode revelar caminhos com grande potencial transformador. A partir disso, buscar capacitações voltadas à tecnologia social, negócios de impacto e sustentabilidade é um movimento estratégico, principalmente quando articulado às redes que estão se fortalecendo em torno da COP30”, finalizou André Cutrim. 

Com a COP30 projetando a Amazônia para o mundo, os empreendedores da região têm uma chance única de posicionar seus negócios de forma estratégica. Quem souber alinhar sustentabilidade, inovação e impacto social terá grandes chances de crescer nesse novo cenário econômico, inclusive com perspectiva internacional.